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Polícia Civil do RJ aponta possível fraude em registro de jogadores da CBF

A análise aponta uma fragilidade no registro dos atletas no BID
Foto: Lucas Figueiredo / CBF Sede da CBF no Rio de Janeiro
Sede da CBF no Rio de Janeiro

Uma investigação da Delegação de Defraudações do Rio de Janeiro sugere que existe a possibilidade de irregularidades na segurança do sistema de registros de jogadores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o BID. De acordo com o Departamento de Polícia Técnico-Científico da Chefia da Polícia Civil, os dados que estão no BID podem ser tanto alterados como até excluídos.

A investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi iniciada após um o Tribunal de Justiça do Ceará questionar sobre qual entidade tem o controle dos por sobre transferência de um determinado jogador em 2016. O Palmácia, clube do campeonato cearense que originou o questionamento do TJ-CE, pediu a justiça a indenização 6 milhões de euros (cerca de R$ 35 milhões), pela venda do jogador Bismark para o Najran, da Arábia Saudita.

Antes da transferência, por decisão judicial, o contrato do jogador com o clube cearense foi suspenso, e terminaria em 2018. De acordo com dvogados do Palmácia, a suspensão do contrato não significava sua rescisão. No dia 8 de janeiro de 2016, a 9ª Vara do Trabalho de Maceió (Alagoas), suspendeu o contrato e negou o pedido do jogador para ter condição de jogo no BID.

Depois dessa decisão, Bismark assertou com o Santa Rita, de Alagoas, clube que pertence aos familiares de Gustavo Feijó, um dos oito vice-presidentes da CBF. O novo clube, é investigado por ser uma ponte para a saída do jogador para o mundo árabe. O jogador não chegou a jogar nenhuma partida com o Santa Rita. A negociação rendeu aos cofres da equipe alagoana cerca de 120 mil dólares (R$ 485 mil na cotação da época).

De acordo com os advogados do Palmácia, houve uma adulteração ilegal no sistema da CBF para acertar a transferência do clube alagoano para o Nairan, da Arabia Saudita. A investigação está apurando se há indícios de fraude, estelionato, falsidade ideológica ou até tráfico de influência e aliciamento de atleta no caso.

A CBF, por meio de nota enviada ao Globo Esporte, se posicionou sobre a possibilidade de fraude no sistema de BID.

Leia na íntegra a nota da CBF:

"A CBF reitera não haver qualquer possibilidade de fraude no BID, seja pelo alto grau de segurança tecnológico do sistema, seja pela rigidez do processo de controle da documentação apresentada. O sistema, inclusive, conta com auditoria externa contra fraude e com controle de boas práticas por parte da Microsoft.

Quanto às informações prestadas pelo inspetor de polícia, estas partem de premissa equivocada, que afronta decisão da Justiça do Trabalho de Alagoas, que determinou a rescisão imediata do contrato do atleta naquela ocasião.

A CBF, ao longo dos últimos cinco anos, prestou todas as informações solicitadas pelas autoridades competentes em relação a este tema, bem como disponibilizou o sistema para perícia da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, e tem convicção que não houve qualquer irregularidade no registro do atleta em questão."