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Funcionária da CBF denuncia assédio sexual e moral contra Rogério Caboclo

O documento protocolado nessa sexta-feira apresenta comportamento abusivo do atual presidente da CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF Rogério Caboclo, presidente da CBF acusado de assédio sexual
Rogério Caboclo, presidente da CBF acusado de assédio sexual

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, é alvo de investigação de assédio sexual e moral após denúncia de funcionária da organização. A denúncia foi protocolada no início da tarde desta sexta-feira na Comissão de Ética da CBF e a Diretoria de Governança e Conformidade.

De acordo com informações apuradas pelo portal Globo Esporte, a funcionária relatou que os abusos aconteceram em abril do ano passado, e a vítima do assédio tem provas de todos os fatos que descreve na denúncia. A vítima solicita também que o presidente da organização seja afastado do cargo e julgado na justiça estadual sobre o ocorrido.

Dentre os fatos, a vítima explica que os assédios aconteciam em viagens, reuniões com o presidente e que por vezes também eram feitos na presença de diretores da CBF. Em um dia especifico, a funcionária relata que o presidente, após vários comportamentos considerados abusivos, perguntou se a funcionária se “masturbava”. Entre outros episódios de extrema gravidade, segundo a funcionária, Caboclo tentou forçá-la a comer um biscoito de cachorro, chamando-a de "cadela".

A funcionaria também relata que teve fatos da vida pessoal, expostos pelo presidente, diante outros funcionários do órgão, que eram falsos, sobre supostos relacionamentos que a vítima teria vivido dentro da CBF. A denúncia diz ainda que os abusos eram de conhecimento de outros diretores da organização.

A denuncia foi oficializada nessa sexta-feira, mas a funcionária já vinha expondo a situação que sofria com colegas, e era de conhecimento de diretores de alto escalão da CBF há pelo menos um mês e meio. A funcionária, de caráter reservado, foi contratada em 2012 para integrar a equipe de recepção da CBF, e foi promovida para o setor cerimonial do órgão.

De acordo com o código de ética da CBF, Caboclo pode ser punido pelos seguinte pontos:

Art. 21 As violações a este Código pelas pessoas a ele submetidas ou as infrações de quaisquer outras regras e regulamentos da CBF, das Federações, das Ligas e dos Clubes são passíveis de punição, cumulativas ou não, das seguintes sanções:

I) Advertência, reservada ou pública;

II) Multa, de até R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais);

III) Prestação de trabalho comunitário;

IV) Demissão por justa causa;

V) Suspensão, por até 10 anos;

VI) Proibição de acesso aos estádios, por até 10 anos;

VII) Proibição de participar de qualquer atividade relacionada ao futebol, por até 10 anos;

VIII) Banimento.

Art. 22 A Comissão de Ética poderá recomendar ao órgão apropriado da CBF que proceda notificação às autoridades policiais e judiciais competentes.

PARÁGRAFO ÚNICO A aplicação de sanções aos dirigentes eleitos ficará sujeita à confirmação das Assembleias Gerais Administrativas das respectivas entidades, exigindo-se aprovação de 3/4 (três quartos) da totalidade de seus membros.

Art. 35 Em conformidade com o disposto no Estatuto da CBF, a Comissão de Ética é definida como instância independente com poderes para aplicar as sanções por infrações éticas às pessoas submetidas a este Código.

Art. 36 Salvo disposição em contrário, as violações a este Código estarão sujeitas às sanções nele previstas, por conduta dolosa omissiva ou comissiva.

Art. 37 A Comissão de Ética será composta por um Presidente, uma Câmara de Investigação e uma Câmara de Julgamento. Art. 38. Cada uma das Câmaras será composta por 3 (três) membros, dentre eles o Presidente da Comissão de Ética, designados pela Diretoria da CBF, de acordo com a natureza das demandas.